O Fim da Narrativa do “Coitadismo” e a Disputa de Paternidade

Impacto da aprovação do PL Antifacção (PL 5582/2025) e projeções eleitorais.

No silêncio dos corredores de Brasília, uma votação recente ecoou muito além do plenário, alterando a temperatura e a pressão do sistema político nacional. A aprovação do PL Antifacção (PL 5582/2025) na Câmara dos Deputados não deve ser lida apenas como um ajuste legislativo, mas como o sintoma mais agudo de uma transformação profunda no psiquismo do eleitorado.

O Fim da Narrativa do "Coitadismo" e a Disputa de Paternidade

O Fim da Narrativado “Coitadismo” e a Disputa de PaternidadeA gênese deste projeto revela a disputa ferrenha pelo protagonismo da ordem. O texto original foi enviado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e articulado pelo Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, como uma resposta política imediata após a megaoperação policial no Rio de Janeiro no final de outubro. O governo tentou tomar a frente. Contudo, na Câmara, o relator Guilherme Derrite (PP-SP) — deputado e Secretário de Segurança de SP — promoveu diversas alterações, endurecendo drasticamente o texto original e impondo uma visão de “tolerância zero” que o Congresso abraçou. Agora, o texto segue para o Senado Federal carregando o DNA dessa queda de braço.

"tolerância zero" que o Congresso abraçou.

“Tolerância Zero” que o Congresso abraçou.

Essa mudança de rota não nasceu no ar-condicionado, mas no enfrentamento real de narrativas, tendo o Rio de Janeiro como “laboratório”. Enquanto Brasília discutia papéis, o Governador Cláudio Castro (PL-RJ) não esperou: sancionou a Lei Estadual 10.994, instituindo o Pacote de Enfrentamento ao Crime Violento (PCRJ), focado em ações estaduais imediatas.

Castro dobrou a aposta. Lançou a operação “Barricada Zero” e cravou a frase que virou mantra dessa nova direita pragmática: “Onde tiver barricada, vai ter operação. Se voltar, tem operação no dia seguinte.” O resultado? A mídia, que antes transmitia operações 24h para criticar a letalidade, simplesmente parou de falar. O silêncio dos telejornais sobre as operações contínuas no Rio é a admissão tácita de que perderam o controle da narrativa. A população comprou a briga da ordem contra o caos.

1. O Novo Marco Legal: Tratamento de Terrorismo para Facções

Para entender o impacto em 2026, é preciso olhar o que de fato diz a lei aprovada por Derrite, que vai muito além do marketing político. O texto cria um novo marco legal para o combate ao crime organizado, classificando as facções criminosas com um rigor jurídico que as equipara, na prática, a grupos terroristas:

  • Pena de 40 Anos e o Fim da “Saidinha” Eterna: A lei tipifica a “Organização Criminosa Ultraviolenta”. A pena base salta para 20 a 40 anos. Para líderes, com agravantes, pode chegar a 66 anos.
  • Trava na Progressão de Regime (A “Prisão Perpétua” Velada): Talvez o ponto mais crucial. Acabou a progressão com 1/6 da pena. Para líderes ou reincidentes em crimes com morte, a exigência sobe para 85% da pena cumprida em regime fechado. Na prática, um chefe de facção condenado a 40 anos ficará 34 anos trancado sem benefícios.
  • Crime de “Domínio Social Estruturado”: A lei criminaliza especificamente o controle territorial (barricadas, taxas, gatonet). Isso dá respaldo jurídico federal para as operações de “guerra” que governadores como Castro estão fazendo sob a tutela da Lei Estadual 10.994.
  • Asfixia Financeira: Vedação total de auxílio-reclusão para dependentes de faccionados e confisco antecipado de bens.

2. A Inflexão Estratégica: Do Econômico ao Existencial

Historicamente, a máxima “é a economia, estúpido” regia as eleições. Hoje, a segurança pública tornou-se o filtro emocional primário.

A aprovação do PL foi uma resposta de sobrevivência da classe política a um dado alarmante das pesquisas (Quaest e Latam Pulse): a insegurança é a dor nº 1 do brasileiro. O “medo” substitui a “esperança” como motor de voto. O eleitor de 2026 não buscará apenas um gestor da economia, mas um garantidor da ordem.

A Inflexão Estratégica: Do Econômico ao Existencial

A Inflexão Estratégica: Do Econômico ao Existencial

3. A Geopolítica Partidária

  • A Antecipação do “Centrão” (MDB, PSD, PSB, União): Estes partidos ajustaram o discurso antes dos polos. A tese é: Segurança + Estabilidade = Elegibilidade. Eles farejaram a oportunidade de oferecer “firmeza sem caos”.
  • A Armadilha do Governo Federal: O Planalto está numa “escolha de Sofia”. O projeto nasceu no Executivo (Lula/Lewandowski), mas foi “sequestrado” e endurecido pelo Legislativo (Derrite/Centrão). Se o governo tenta vetar os excessos agora, será acusado de proteger bandidos. Se sanciona, valida a pauta da oposição. A inércia aqui é fatal.
    O Planalto está numa "escolha de Sofia"

    O Planalto está numa “escolha de Sofia”

4. O Fenômeno do Silêncio Midiático e a Perda de Narrativa

A ausência de manchetes escandalosas sobre as operações recentes no Rio de Janeiro ensina uma lição para 2026: A narrativa da “violência policial” saturou.

Quando o Governador do Rio manteve as operações nas barricadas mesmo sob fogo cruzado da imprensa e do governo federal, amparado agora pela sua própria legislação estadual (Lei 10.994), a “bolha” opinativa estourou. O silêncio da mídia sobre as operações atuais não é desinteresse, é impotência. Eles perceberam que bater no enfrentamento ao crime, neste momento, só fortalece quem bate.

5. O Arquétipo de 2026: A Nova Roupa da Polarização

A polarização mudou de eixo. Não é mais Esquerda vs. Direita, mas Ordem/Eficiência vs. Inércia/Ideologia.

O cenário desenha uma eleição para o “Gestor-Xerife”:

  1. Discursos Simples: “Lugar de bandido é na cadeia” vence “precisamos entender as causas sociais” no curto prazo eleitoral.
  2. Entregas Visíveis: O eleitor quer ver a barricada saindo, não o seminário de direitos humanos acontecendo.
  3. Coalizões Amplas: Unir a classe média amedrontada com a periferia refém do tráfico.

Conclusão

O “subterrâneo” da aprovação do PL Antifacção indica que o tempo da retórica acabou. A pauta de segurança é “antropofágica”: ela engole quem a ignora.

Para os atores políticos que desejam viabilidade em 2026, a lição do Rio e de Brasília é uma só: Tenha lado. E que seja o lado de quem sofre com o crime, não de quem o teoriza.

Em suma: Em 2026, quem não tiver a resposta para o medo, não terá o voto.

 

Por: Wellington Feitosa

 

Published On: sexta-feira novembro 21, 2025 / Categories: Política / Tags: , , /

Entre no Nosso Canal no WhatsApp

Conteúdos exclusivos todos os dias.

Canal WhatsApp

Engajamento Garantido!

Vamos Turbinar seu Crescimento Online

Quero uma Consultoria Gratuita

falecom@wellingtonfeitosa.com